Terça-feira, Outubro 14, 2008

O meu sonho


O meu amor é uma ave sem sono
Sol poente de mim que eu vejo.
Suor da minha febre que almejo.
E com ternura ainda de sem dono.

Voz da minha voz, em pleno trono.
Com altiva beleza que eu invejo.
Oh Deus! Dai-me de novo o rejo,
Dai-me a mim um sonho novo.

Mas eu... cheio de dores me arrasto,
Palavra após palavra me atiro o mastro,
E deixo o meu navio cair no peito.

Asas da minha ave! Eu vou privando,
E sem saber... à sorte vou desafiando,
E morro sozinho sem ter um leito.

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Sábado, Outubro 04, 2008

4 de outubro


Tenho p’ra mim que a inquietação não é mais do que metafísica capaz do impossível. Se de todas as vezes que falo com alguém fosse de facto falar para mim, tudo seria mais transparente. Sei de conhecidos meus que são personagens por mim criados, com o seu trabalho, a sua vida paralela. Às vezes, deambulando pelo meu quarto, falo em voz alta e desenvolvo todo um monopólio de palavras, tais, que chego a confundir-me. O difícil tende a ser complicado, não que seja a mesma coisa, aliás, a ductilidade das interpretações é muitas vezes posta de lado face á razão, mas os meus conhecidos não! São todos muito inteligentes, e muito capazes, quase pessoas, não fossem estes fruto da minha inglória imaginação e eu acreditava neles. São belos e bem vestidos, os meus conhecidos, têm assimilado crenças e formaram as mais diversas opiniões sobre o mundo em geral. Tendem a ser conflituosos e racistas, mas não os posso julgar, numa sociedade multiracial contagiada de pseudo-antropólogos como a deles, é mais do que justo.

A verdade, é que não os deixo sair muito. O inconveniente de os conhecer é ter de saber deles, e isto envolve muito tempo, seja a fazer conversa pensante, seja a discutir atrevimentos de quem é precoce.

E com tudo isto, dito por quem tem hora marcada para acordar, achei por direito ignorá-los a todos por um bocado.