Quarta-feira, Julho 30, 2008

De noite...


À noite as estrelas brilham mais forte,
Como a doce luz que se enaltece.
Fosse a minha vida como a sorte,
Como à noite o dia se adormece...

Os meus sonhos de grande porte,
Unidos aos teus como quem esquece.
Mas não há abraço que me conforte,
Nem há palavras quando anoitece.

Se tudo em mim fosse pensamento,
Não havia má sorte nem lamento,
Nem havia desdém de não me ter.

E tudo isto passa a rir por mim,
Sem que a noite se assuma como fim,
E sem que a luz se dê a conhecer.

André Lopes


Segunda-feira, Julho 28, 2008

Para...


Para quê ser memória doce nos corações
Das pessoas? Se neles conforto a estranha
Saudade que nos invoca. Foram paixões,
Aquelas que nos cravou a dor tamanha.

Que sejam. Que sejam na vida os corações
A ter responsabilidade de quem não tenha
Feito nada senão fugir. Dai-me sensações!
Que eu mudarei o meu mundo numa façanha.

O meu mundo sem ordem, nem política!
Os meus sonhos fúteis e sem vontade!
E sem escrita certa ou figura mítica.

Mas eu sou sempre incerto no meu grito.
Não importa! Porque eu sou o há-de!
Eu sou o mundo fechado no infinito.


Esta tentativa de poema é para vocês, meus amigos. Pedro Abrantes, Pedro Amaral, João Nuno
(Tija).
(ainda tenho as fotos do vosso primeiro ano juntos em Coimbra)

Quarta-feira, Julho 09, 2008

Tempo...


Eu não tinha estes olhos antigamente,
Nem este rosto cansado de ficar.
Não tinha este andar frouxo e doente,
Nem tinha desistido de me amar.

Nunca tive passos de outra gente,
Muito menos tive de me lutar.
Oh tempo!... mudaste repentinamente,
Tão depressa que me deixei levar.

Mas eu...escrevo-te quieto deste leito,
Onde me escondo e me fico a divagar...
Jamais tive tanto desalento no peito!

Mente! Diz-me se me pediste p'ra mudar...
Fala-me na boca, fita-me do teu jeito,
Olha-me nos olhos e deixa-me sonhar.

André Lopes

Image By mary fletcher on Flickr

Terça-feira, Julho 08, 2008

De ti para mim



Deixemos que a noite venha suavemente,
E nos envolva com vã ternura,
Que nos engane do hoje presente,
E nos esqueça que ontem foi tortura.

Deixemos cair nos olhos da gente,
Toda a solidão e toda a amargura.
Fontes de cansaços, de quem mente.
Força de quem ousou sair à rua.

Meu Mundo Universo, sabes a pouco.
Sabes a lábio cego e a lábio rouco.
Sabes a findas quimeras de desdém.

E de ti p'ra mim... tu vais saltando,
Vais gritando alto... e vais calando,
E vais dando dor a quem a não tem!

André Lopes

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Segunda-feira, Julho 07, 2008

Coração...



Meu pobre coração de lata,
Como foi que te esqueceram...
Será que nas noites te leram?
Ou será que és mera coisa barata?

Do que me lembro, não tens capa.
E o teu caminho não conheceram.
Meu pobre, quando é que te bateram?
Quando te deram a mágoa que te tapa?

Meu coração fiel, bastardo e nu.
Meu coração a quem chamo tu,
Nunca na vida lhes deste graça...

Os outros passam a rir do teu passado.
Nunca hão de saber, que terás sonhado!
Deixa-os ir! Deixa-os ir. Que tudo passa.



Quinta-feira, Julho 03, 2008

Leio-te a ti...


A vida passa a sonhar, que desalento,
Pensar que não vivi o suficiente...
Pensar que vivi à margem, ao relento,
À beira de pensar que eu era gente.

Os dias passam cansados com o vento,
Em troças vaidosas, como alguém doente.
E em mim... a tua voz é alimento...
E em mim, a tua dor também se sente.

Leio-te a ti, como se fosses só minha.
Vida cansada, morta e fugidia.
Tu que ousaste mais do que ninguém!

E quanto mais na noite eu te desejo...
Mais a tua dor e choro eu invejo...
E peço a deus que me leve também!