
Deixemos que a noite venha suavemente,
E nos envolva com vã ternura,
Que nos engane do hoje presente,
E nos esqueça que ontem foi tortura.
Deixemos cair nos olhos da gente,
Toda a solidão e toda a amargura.
Fontes de cansaços, de quem mente.
Força de quem ousou sair à rua.
Meu Mundo Universo, sabes a pouco.
Sabes a lábio cego e a lábio rouco.
Sabes a findas quimeras de desdém.
E de ti p'ra mim... tu vais saltando,
Vais gritando alto... e vais calando,
E vais dando dor a quem a não tem!
André Lopes


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