
Já sonhei tudo o que tinha para não sonhar.
Baloiçar freneticamente os meus pensamentos e escrever a cadeira que me guarda. Tédio colossal cansado de tempo, meta-coisas imanadas nas janelas dos vizinhos, oh canção de Lisboa, oh glória antiga do mar alto, oh canções que me devastam de noite, vozes agonizantes criadas do nada, quadros que saltam do chão para as paredes.
Já fiz o nada tudo, nasci, vivi, morri, conheci todos e todos me conheceram.
A voz aflita arranhada de mim, do António magro que nasceu nos arredores da minha vivenda.
Oh mares vivos protegidos pela lua, oh sobreviventes de poemas mal escritos.
A vida é tão vã!

