Sexta-feira, Outubro 19, 2007

Já tive tudo, , tive até os que nunca me tiveram, porque a imaginação da melancolia assim me obriga. Transcendência das coisas fúteis, das coisas banais e das coisas sem nome, metamorfose das situações sem situação e das relações sem relação.
Às vezes, comigo mesmo, não contigo, mas com outro, pergunto respostas de perguntas aqueles ali no fundo, àqueles que não se vêem, aqueles que viajam comigo sem me perguntar o nome (uma viagem que dura uma vida inteira)... Às vezes, pergunto àquele alcoólico porque se sonha e porque se tem, ele responde, que cada lágrima de um olho é um pedaço de nós, que a soma, somada dos dois, é a alma por completo e que cada alma precisa de um espírito unificado.
Já tive tudo diante dos meus olhos.
Bastava olha-los no espelho e tinha tudo, um grande nada.
Aquele nada que nos preenche, daqueles que navegam os mares e nos fazem acreditar, aqueles que, após sete voltas ao mundo estão de regresso. Tudo o que na imaginação tece, tudo o que na solução abunda, tudo o que na melodia das palavras cresce.

Meu Deus, quanto álcool no meu sangue… Quanta falta me faço…

Sábado, Outubro 06, 2007

existindo


Às vezes gostava de perceber a proliferação das ideias, os devaneios dos outros, os passos de palavreado daqueles pseudo-intelectuais que lançam riscos nas folhas e deles fazem sensações.
Há mais de duas horas que penso nisto.
Às vezes gostava de perceber a metamorfose dos objectivos, a escrita por detrás da escrita, os augúrios escondidos nos aplausos.
Às vezes, de noite, dou comigo atrasado em mim, corrompido por mim, adulto por mim...
De noite…as vozes existem, os astros protestam na imensidão do negro.
Às vezes gostava de ser negro para me sentir negro.
Outras vezes gostava de ser a imensidão para ser alguma coisa, e outras vezes, apenas algumas vezes, gostava de existir para que soubesse que sou.