
Arre! Que a vida me vive intensamente sem me dar descanso. Arre a tudo! Ao céu que não muda e às estradas que são sempre as mesmas. A transcendência das coisas, a exactidão do paranormal da ciência e os atrasos dos relógios.
Seis da manhã, a vida adormece
Seis da tarde, boa tarde falo eu
Arre a mim! Que não passo disto, sempre o mesmo passo calcado na calçada descalça. A mesma gota incerta de chuva que se abate no meu crime, o mesmo panfleto colado algures na parede dum bairro alto desengraçado.
Saudades do que fui e que já não sou. Lembranças de mim, criança adulta que não sou hoje.
Arre!

