Sexta-feira, Maio 25, 2007

ferve a noite


Sinto um frio que me entra na alma e me preenche o corpo de ódio. Nunca tive saudades minhas, nem demasiadas ilusões, sempre fui dono de uma inquietante frieza, mas este frio… este frio que me nega o corpo e me faz chorar de desgosto, este soturno e estranho faro que me gela os ossos até roçar o coração e me deixa uma marca de sossego...
Nunca tive mestre nem professor, nunca ninguém se mostrou das sombras em mim, olhei, vi e perdi, uma excepcional batalha que nunca existiu, teriam força suficiente para me fazer juntar na sua busca e jamais teria permanecido aqui.
Farsante.
Cobarde.
De rastos, deitado sobre a cama onde nunca dormi e de onde nunca me levantei. Quantas mais, quantas mais angustias no meu vão crescer, até tocar a leveza da piedade. Conheço o meu rumo de cor, mas guardo-o bem longe.
A noite ferve...a minha boca esboça um cansaço de viver.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sem duvida alguma, o teu texto que melhor te retrata...parece uma pintura tua, uma auto-biografia, no meio da frieza que gela o corpo e alma deixaste falar o eu que se esconde em ti e de ti...um passo no meio do nada qur tu mesmo vês... um passo que pode chegar ao teu tudo...um começo...

ana carolina disse...

Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo, íssimo, cansaço.