Sábado, Agosto 19, 2006

Mais um dia

Não sei quantos dias passaram desde o meu último sonho... a viagem tem sido demasiado cansativa e no derradeiro momento da noite apenas fecho os olhos para me deitar com os raios lunares que me absorvem. Não sei quando foi o meu ultimo bafo de ar, tenho a dor da falta nos pulmões, e a certeza que não vivo á muito tomei-a como certa, não sei quantas manhãs já acordei sem me ter a meu lado, nem sei quantos foram os tremeliques de frio ao abrir os pesados olhos.
A minha esplanada continua deserta...

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Servindo

Disse! Com a vergonha na cara e o café na mão. Disse que os céus são meus e que a luz das estrelas é o meu sol. Sim! Disse a toda a gente a quem tenho servido que as estradas são a minha casa e os canteiros das cidades o meu dormitório. Falei com toda a arrogância e violência que podiam ir embora, que aquele espaço era meu, a minha esplanada de sonhos, as minhas mesas ordenadas em losango…do mesmo talhe das minhas fantasias
A cada pessoa que sirvo, a cada personalidade, cada feitio, a cada criança, mulher ou homem, olho nos olhos frios e vagos e digo com as barrigas na boca: - "Boa tarde, o que deseja?” O que deseja, pergunto eu, o que deseja? Um desejo não se paga, não se pede, apenas se consome no acto da perdição, um desejo é um capricho, uma vontade de ter o impossível. Negar o pedido seria duvidar da minha própria existência, vivo para servir os outros, para os fazer rir, sorrir, seja o que for, e dos seus sorrisos beber o consolo que faz a minha existência. Não tenho de explicar uma coisa que é simples. Eu sirvo estudado, levo para as mesas um pouco de mim e da minha inocência.
Eu inventei os meus próprios clientes, tudo o resto é fruto da ordem natural das coisas.